
E encostada na pia da cozinha. Torneira aberta, pingando a saudade no meu pote vazio de você.
Saudade de quê.
Da sua mania de tarde vazia e ambulante. E dia lindo, a la cachoeira. Da sua tempestade pra ir pra cachoeira.
E o medo que eu tinha de você me afogar nela.
Da sua mão que me aperta demais.
Que tenta me ferir, mas me deixa penando na dúvida do que você realmente quer.
E não é meu prazer.
É o próprio de me tolir.
E corta minha carne! Corta minha língua por dentro das pernas, me estanca o sangue da fertilidade, rapa - me os cabelos, acorrenta - me onde eu não possa te ver.
Pra que eu não possa ver, o que fala de mim.
Díscórdia. Meu homem é discórdia.
Encostada na pia,
a tarde vazia e a saudade ambulante.
Me afogo nela.
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