sábado, 20 de setembro de 2008

Tem duas salamandras nesse olhar


Entro no recipiente
E ele me contempla na meia – luz.
Contempla na meia – luz
Contempla...


E agora.
Eu que sempre sei o que fazer nessas horas. Desaprendo tudo que me foi empurrado.
Nua da armadura, que deixo aos pés daqueles olhos.
Deito – me a lado da pele morena.
Ele me ilumina com seu par de candeias
{Quando me olha, fico sem meu individual!}

Me carinha, me beijoqueia...
- Cê é um bocado bonita.
OK. Me convenceu. Mas, enraizado nas minhas gengivas está a modéstia, e:
Sorrio.
- Ah! Besteira...

Pede pra que eu levante.
Sim! Eu tenho o Sol sob os pés!
- Cê ta parecendo uma daquelas pin – ups.
E eu estava. Encabulada, desejando estar invisível aquele olhar.
Ser cega. Mas a cegueira aguçaria outros sentidos e descaberia o Sentimento.
Está bom.
Sutilmente demasiado, equilibrado.
Estou a caminho...

Somos dois barris de pólvora. Somos duas velas a queimar a todo olhar.
Vivemos nossa humanidade, na carne...Divinamente.
E enquanto pereço nesse Delicioso Inferno.
Seus lábios roçam no pé do meu ouvido, balbuciando coisas...
Ouço a coisa errada.
- Repete...
Ele repete.
Me dispara o coração pela coisa errada e pela certa.

Tenho um corpo colando no meu, tem uma liga de suor que encaixa a gente.
Tem faíscas. Torpores.
Não, não posso estafar agora!
Não agora...

Tem os pêlos, por um fio de tesão.
E por incontáveis vezes conheci o céu.
Mas dessa vez ele me intimida: Não grita!
Não grito, não grito...Não agüento: Grito.

Sei.
Quando se voa lentamente alçando o céu, sentindo a brisa bater no rosto, sentindo uma porção de cheiros diferentes...
Fecha os olhos, os pés adormecem.
Os dedos dobram.
Mas, chega uma hora que tem que descer.
Subir é bom, mas cair é melhor!
É súbito e eterno.
Esse moreno me fez cair de tantas alturas. ..

No cenário tateável, estou desmaiada.
De rostinho corado, semblante bêbado, olhos semicerrados.
Somos um na minha pele.
Ficou um q de relevância na minha epiderme.

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Norte


Pensei descobrir seus talentos oníricos por debaixo das cobertas.
E analisar sob sua carne seus espasmos que avisam teu sono.
Desfrutar das tuas palavras como se fosse a tua boca.
E conquistar, e chegar nos Teus olhos como se fosse a Lua.
No Lago Sinistro dos Mistérios do Pretérito, encontram – se
Seus pensamentos de outrora.
É, essa é a única informação que eu tenho.
Pra poder beber toda sua água, sanar tuas manhas,
Exorcizar teus demônios.
E petrificar tua Mulher.
Corro contra mim pra te alcançar.
Corro a favor pra te avisar.
Que o caminho da direita é o mais Lúcido.
Mas seguir o Sol é mais sensato.

domingo, 7 de setembro de 2008


Tenho muitas loucas.


A Louca Romântica que
acredita no Amor Verdadeiro e luta por ele.
Ela é ociosa,
Luta por causas vãs.

A Louca Contida
que espera o momento errado
pra se libertar.
Ela tem incontinência verbal.
Fala até perder a razão.
A Louca Puta.
Infiel,
a que vaga,
a que Toca.
A que mostra.
Ela é arrepentida e espera receosa.
A verdade vir a tona.
A Louca Incapaz.
Chora da desgraça alheia,
e ri da própria.
Na lama, se lambuza.

Tenho muitas Loucas.


Sou Humana, tenho dúvidas.
Pra que ser desumana.
Se eu posso enlouquecer (...)

Eu posso enlouquecer.

Danos e Ganhos

Falava rouca.
Farejava respostas.
Procurava pistas.
Entrevistava fatos.
Vingava saudade.
Trancava razão.
Entendia pouca (...)
Ora! O entendimento
é intríseco.
Não há pistas. Elas
denunciam o crime.
Julgam o feitor.
E não externa questões.
Dores de Amores,
e perdas.

{é perdas?}

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Eu mentia


Eu fingia encarar como natureza
Minha nudez ao avesso na sua cama
Onde minhas entranhas
Por entre tecidos embolados.
Me expunha.
E escorrido em minhas coxas.
Meu sentimento.









Não Terminei

Agora eu vou cuidar das feridas dos meus pés.
Que escorrem arrependimento, por ficar andando,
Andando, andando.
Atrás de uma coisa que estava atrás de mim.

Segundo tempo

Nesse meio tempo entre
a consciência e o desejo
eu tento diversas saídas
que exijam menos de mim
Menos da minha dedicação de amante.
Menos, que meus sonhos de gente que se
fez de grande.
Fugindo de casa a passos rasos.
(Fujo de mim a cavalo)

Desabafo

Quando fico triste
Vejo os infortúnios.
Como uma necessidade.
Para nutrir meu desconsolo.
Preciso estar triste.
São as minhas palavras de;
Ora feliz.
Ora poeta.

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Correnteza de Loucuras Carnais

Um gosto amargo três vinténs roubados
a vida do outro lado Pendente
Ela carregava o ninho Triste e pobre
numa correnteza de águas - vivas.

O que ficou para trás, cicatrizes.
Meio - meio a medo, meio Ilucida sabendo,
desconfiança que vaga parada é Puta.
Tudo por uma qualquer coisa vaga.

Se você também é então nós seremos
e tudo saberá como se não soubessemos
Desta manteira, quente e suada
e é como se o frio ardesse latente

Farsas.farpas

Longe, uma voz indo para o tudo acabando.
Não quero o que já tenho,
Sou Livre enquanto o Amor vive mais ainda.
E tu preso olhando meus diversos horizontes.
Agradecido como um condenado.
Não quero o que já tenho.
Vens a mim e perde -se Mas Eu,
presa, por um tempo vôo.
A desesperança é magra de tentativas e o Amor, assim é gasto.
Não quero o que já tenho.
Agudas farpas de palavras a lua fere.
E o que resta são meus diversos horizontes caídos no mar.



Caladez

Calado como morto não me conforta a Indecisão.
Teus olhos esperam ansiosos na sargeta
Eu viria se pudesse, mas me impeço.
E tudo se cala profundamente.
Clara claridade no átrio esquerdo
Lâminas afiadas, palavras desmedidas
Minhas agonias e desafios e Insônia
E tudo se cala profundamente.
Esperas infundadas de mim, de nós.
Mas o Tempo que o vento leva.
Te traz no cheiro agridoce do Mar.
E tudo profundamente se cala.

Volte


Quando você for,
fará bem.
Você indo embora.
Com todo desdém.

Enquanto aqui.
Permaneço afim.
a fio,
do fim.

Finalmente feliz,
você dirá.
Infeliz!
Daquela que eu quis...

Na verdade eu quis que fosse.

Avesso do medo



Triste dia
e a chuva molha o tecido sujo da tua cochia.
Usada.
Janela embaçada.
E chove e venta e a tristeza nada.
Mão lavada.
Cara encerada.
Troveja, esbraveja e a chuva lava.
A alma e seus miasmas.
E o que me deixa pesada.
Parada.
Dopada.
Cheia de hematomas.
Toma teu drink.
Acende teu cigarro.
E deixa que de mim.
Cuida Chuva.